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PARKINSON: Pesquisa inédita busca identificar sinais precoces de risco de quedas antes da perda de autonomia

  • Foto do escritor: Vera Moreira Comunicação
    Vera Moreira Comunicação
  • há 34 minutos
  • 3 min de leitura

taxa de quedas é aproximadamente o dobro em idosos sem Parkinson


Estudo conduzido pela fisioterapeuta e presidente da Associação Brasil Parkinson, Erica Tardelli, acompanhará 270 pacientes até 2027 para entender fatores ligados ao declínio do equilíbrio.


A doença de Parkinson já é considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) uma urgência de saúde pública e é atualmente a doença neurodegenerativa que mais cresce no mundo. No Brasil, estimativas indicam que o número de pessoas vivendo com Parkinson pode ultrapassar 1,2 milhão até 2060.


Embora o tremor seja o sintoma mais conhecido pela população, especialistas alertam que a doença começa muito antes dos sinais motores clássicos.


“A doença de Parkinson acontece pela degeneração progressiva dos neurônios que produzem dopamina, numa região do cérebro chamada substância negra. E aqui há um dado que assusta: os primeiros sinais clínicos aparecem quando cerca de 60% a 70% dessas células já se degeneraram”, explica Erica Tardelli, fisioterapeuta, presidente da Associação Brasil Parkinson (ABP) e doutoranda da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), no Programa de Ciências da Reabilitação.

Segundo ela, isso significa que o Parkinson pode permanecer silencioso durante anos antes do diagnóstico.


“Muitas vezes, antes mesmo dos sintomas motores, surgem alterações do sono, depressão, constipação intestinal e mudanças cognitivas que nem sempre são associadas à doença”, afirma.

A pesquisadora conduz o estudo “Preditores Motores e Cognitivos do Declínio Longitudinal do Equilíbrio em Pessoas com Parkinson”, que busca identificar quais fatores conseguem prever, com antecedência, quais pacientes terão piora mais rápida do equilíbrio ao longo do tempo. A pesquisa parte de uma questão central: entender se o principal fator para o declínio do equilíbrio está mais relacionado às alterações motoras ou às alterações cognitivas.


“O equilíbrio dinâmico é a capacidade de controlar o corpo em movimento, ao andar, virar ou mudar de posição. Quando ele piora, aumentam os riscos de queda, perda de autonomia, lesões graves e internações. A ciência já avançou bastante e hoje sabemos que o equilíbrio é multifatorial. Ele não depende apenas da dopamina. Outros neurotransmissores ligados à cognição, como acetilcolina e noradrenalina, também têm participação importante”, afirma.

Segundo Erica Tardelli, isso ajuda a explicar por que os tratamentos tradicionais nem sempre conseguem controlar totalmente a instabilidade postural:


“A levodopa, que é o padrão ouro no tratamento do Parkinson, e até mesmo a cirurgia de estimulação cerebral profunda controlam bem muitos sintomas da doença. Porém, o equilíbrio não é totalmente controlado nem pelo remédio nem pela cirurgia. A reabilitação e o exercício físico seguem sendo fundamentais”.

Os impactos das quedas na doença são expressivos. Dados da Associação Brasil Parkinson mostram que cerca de 60% das pessoas com Parkinson sofrem quedas, e dois terços apresentam episódios recorrentes.


“A taxa de quedas é aproximadamente o dobro da observada em idosos sem Parkinson. E o risco de fratura de quadril pode ser até quatro vezes maior. Além das consequências físicas, existe também um efeito silencioso, pois as quedas geram medo de novas quedas. A pessoa passa a se movimentar menos, perde autonomia, se isola dentro da própria casa e os sintomas acabam piorando. É um ciclo vicioso que precisamos interromper”, afirma Dra Erica Tardelli.

A proposta da pesquisa é justamente mudar a lógica atual do cuidado.


“Hoje, muitas intervenções começam depois da primeira queda. O que buscamos é identificar marcadores simples e acessíveis que permitam prever quem está em risco antes que isso aconteça”, explica.

Segundo a pesquisadora, a expectativa é que os resultados ajudem profissionais da saúde a desenvolver programas de reabilitação mais personalizados e preventivos.


“Se conseguirmos identificar o paciente em risco antes da primeira queda, nós mudamos esse jogo. Saímos de uma lógica de reagir à queda para uma lógica de prevenção”, resume.

Para a Associação Brasil Parkinson, o estudo também representa um novo posicionamento institucional.


“A ABP foi criada para acolher. Hoje, além disso, também produz e traduz conhecimento científico para transformar a melhor ciência disponível em cuidado que realmente chega à vida das pessoas”, conclui.


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