Fórum da IFPA na APAS Show 2026 reforça protagonismo do FFLVO e aponta caminhos para mais rentabilidade no varejo
- Vera Moreira Comunicação

- há 2 dias
- 4 min de leitura
O setor de frutas, flores, legumes, verduras e ovos (FFLVO) ganhou protagonismo estratégico na APAS Show 2026 com a realização do Fórum IFPA – FFLVO para Supermercados, promovido pela International Fresh Produce Association (IFPA) no Expo Center Norte, em São Paulo. Com o tema “As Rotas do FFLVO de Resultado: Da Inteligência Operacional à Paixão que Gera Valor”, o encontro reuniu executivos do varejo, produtores, especialistas e fornecedores para discutir inovação, eficiência operacional, comunicação de valor e colaboração estratégica na cadeia de alimentos frescos.
A proposta do Fórum esteve alinhada ao conceito central da APAS Show 2026 — “Coração Supermercadista: Paixão que transforma o Varejo” — e destacou o potencial do FFLVO como uma das categorias mais relevantes para crescimento de faturamento, fidelização de consumidores e aumento da rentabilidade dos supermercados.
Segundo dados apresentados no evento, lojas com maior participação de produtos frescos podem alcançar até 15% mais lucro. Ao mesmo tempo, o setor ainda enfrenta desafios importantes, especialmente relacionados à redução de perdas, eficiência logística, previsibilidade de demanda e valorização da categoria junto ao consumidor.
“Estamos diante de uma grande oportunidade de reposicionar o FFLV como uma categoria verdadeiramente estratégica dentro do varejo. O Fórum trouxe uma visão prática e integrada de como capturar valor em toda a cadeia, conectando inteligência, comunicação e colaboração. É sobre transformar potencial em resultado concreto”, afirmou Valeska de Oliveira Ciré, country manager da IFPA no Brasil e moderadora de um dos painéis.
Inteligência operacional e uso de dados para reduzir perdas
O primeiro painel, “Rota da Inteligência: Da Compra Estratégica à Exposição que vende”, mostrou como tecnologia, inteligência artificial, análise de dados e gestão operacional vêm transformando o desempenho do setor.
Moderado por Nilson Gasconi, da GS1 Brasil, o debate reuniu Marco Perlman, da Aravita, Giampaolo Buso, da Paripassu, e Christiano Sanguinetti, da Cencosud Brasil.
Entre os principais pontos discutidos esteve a necessidade de o varejo utilizar melhor os dados disponíveis para combater perdas, aumentar previsibilidade e melhorar margens. A média de perdas no FLV brasileiro, segundo dados apresentados no Fórum, chega a 4,73%, enquanto mercados internacionais registram índices ainda mais elevados, como 10% nos Estados Unidos e 8% na Europa.
Giampaolo Buso destacou que o setor vive profundas transformações impulsionadas por fatores como envelhecimento populacional, mudanças climáticas, novas gerações de consumidores, instabilidade geopolítica e crescimento do uso de tecnologia. Segundo ele, o uso eficiente de dados será decisivo para ampliar resultados e eficiência operacional.
Marco Perlman ressaltou que a inteligência artificial já pode contribuir para melhorar previsibilidade de demanda, sazonalidade e otimização de margens. Já Christiano Sanguinetti reforçou que o FLV é uma categoria complexa por trabalhar com produtos vivos e perecíveis, exigindo equipes especializadas, reposição diferenciada e decisões rápidas baseadas em informação.
Outro ponto de consenso foi a importância de simplificar indicadores de perdas e transformar dados em ações práticas dentro das lojas, priorizando itens críticos e estratégias de exposição mais eficientes.

Comunicação estratégica e valor além do preço
O segundo painel, “Rota do Valor: Da Comunicação Estratégica à Conquista do Shopper de FFLVO”, discutiu como o setor pode fortalecer a percepção de valor dos produtos frescos além da disputa exclusivamente baseada em preço.
A mediação foi de Fernanda Dalben, dos Supermercados Dalben, com participação de Guilherme Armanhe, da Label Rouge, Simone van Oene, da Joost Kalanchoe, e José Eduardo Carmagnani, da Zespri Brasil.
O debate mostrou como saudabilidade, experiência de compra, bem-estar e comunicação emocional vêm ganhando relevância na decisão do consumidor.
Representando o segmento de ovos, Guilherme Armanhe destacou que o varejo precisa fugir da guerra de preços e apostar em diferenciação, qualidade e bem-estar animal. Segundo ele, produtos antes considerados nichados, como ovos caipiras premium, hoje se tornam exigência de consumidores cada vez mais atentos à procedência e ao valor nutricional dos alimentos.
No setor de flores, Simone van Oene ressaltou a necessidade de transformar flores em categoria estratégica durante todo o ano, utilizando organização do ponto de venda e comunicação emocional para gerar conexão com os consumidores. Ela defendeu a regionalização da experiência e o fortalecimento do conceito de bem-estar como diferencial competitivo.
Já José Eduardo Carmagnani apresentou o case da kiwi Zespri, mostrando como embalagem, saudabilidade e comunicação no ponto de venda ajudaram a ampliar percepção de valor e reconhecimento da marca. Segundo ele, mais de 60% dos consumidores reconhecem a marca pela embalagem, reforçando o papel do branding na categoria.

Colaboração entre varejo e fornecedores para eficiência e rentabilidade
Encerrando o Fórum, o painel “Rota da Colaboração: Fornecedores e Supermercados Construindo Juntos o FFLVO que Gera Resultado” destacou a importância da integração entre produção, logística, trade marketing e varejo.
Moderado por Valeska Ciré, o debate contou com Rafaela Fava, da Bananas Fava, Felipe Turcheto, da A Verdureira, e Marcel Hiroi, do Sam’s Club Brasil.
Rafaela Fava destacou investimentos em inovação e refrigeração para reduzir perdas de banana, que hoje chegam a apenas 2% em sua operação. Ela ressaltou a importância do compartilhamento de dados entre lojas e fornecedores, além da necessidade de compradores técnicos conhecerem de perto a realidade da produção agrícola.
Felipe Turcheto chamou atenção para os desafios logísticos e de manuseio, responsáveis por grande parte das perdas do setor. Ele apresentou iniciativas ligadas à sustentabilidade, cultivo protegido em estufas climatizadas e manejo integrado, além do impacto social da atividade agrícola.
Marcel Hiroi enfatizou que a proximidade entre varejo e produtor é fundamental para garantir constância de entrega, qualidade e melhor curadoria de produtos. Segundo ele, o consumidor busca mais informação no ponto de venda, enquanto marcas de FFLVO precisam ganhar mais espaço e destaque dentro das lojas.
Outro tema que despertou atenção no Fórum foi o impacto dos medicamentos da classe GLP-1 no comportamento alimentar dos consumidores. Os participantes destacaram que médicos têm incentivado dietas mais saudáveis, aumentando o consumo de saladas, frutas e proteínas como ovos — movimento visto como oportunidade estratégica para o crescimento do setor de alimentos frescos.

Ao reunir lideranças do varejo, produtores e especialistas, o Fórum IFPA na APAS Show 2026 consolidou-se como um espaço estratégico para discutir inovação, eficiência e competitividade no mercado brasileiro de alimentos frescos, reforçando o papel do FFLVO como uma das principais alavancas de transformação do varejo alimentar.
Vera Moreira/ Assessora de Imprensa da IFPA no Brasil (11) 99989-6217 - vera@veramoreira.com.br




Comentários